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domingo, agosto 29, 2010

Pensão Laranjo

© Armando Isaac




































                                                                                                               





   À SENHORA MARIA LARANJ0
       DA PRAIA DA NAZARÉ
Minha boa Amiga senhora Maria
Laranjo, da praia da Nazaré,
em que tanto admiro essa fidalguia
de um povo que na Europa o mais fino é, 
muito agradecido pelo almoço Real
que aí me deu junto às ondas do mar;
tivera Camões comido um igual, 
fazia-lhe versos, mas não a zombar.
Minha boa Amiga senhora Maria
Laranjo, da praia da Nazaré,
por minha mulher a receberia
(se a minha Amiga quisesse, já se vê)
se acaso a conheço, quando era solteiro,
para ser agora - ventura tamanha -
em vez de pobre doutor, marinheiro,
mendigo do mar, arrais de companha.
Estando da banda dos pobres do mar
já eu não teria, como tenho às vezes
remorsos tamanhos e tão graves fezes
de ver tantas dores em roda a penar;
assim penaria e acreditaria
como eles, por lindo milagre da fé,
que depois no mar do Paraíso seria
o pescador mais feliz da Nazaré!...
Mas já que eu errei, por destino fatal,
o que era a minha pura, certa vocação,
saiba que em si louvo e admiro Portugal
no que tem de belo - alma e coração.
E saibam as altas senhoras princesas
que há uma fidalga aí na Nazaré
com que elas podem aprender finezas
e a dar um almoço que tão fino é.
© Poema de Afonso Lopes Vieira

domingo, junho 20, 2010

Sonho delicado

                                                                                                                                   © Armando Isaac

Se enquanto dormes
me amas em sonho delicado 
a noite é toda iluminada 
para este mar prateado
Mas se te espero 
sem esperança de que apareças
que nome dar á tristeza, sem sol 
mundo ás avessas

Se te transformas em arco-íris 
tudo banhando de claridade  
é azul o horizonte
alegremente serena esta vontade
Mas se estás longe
sol no outro lado do hemisfério
são escuros os sonhos 
no precipício do mistério
Há gaivotas na praia 
grasnando, com seu passo desengonçado
golfinhos saltando de alegria
 se estás ao meu lado
E um doce sorriso 
na maresia deste mar gelado
com sol ou sem ele 
sempre que estás a meu lado.
* Do livro “Perguntas ao Outono” - Fernando Antunes

terça-feira, maio 11, 2010

Acorda cedo a gaivota


























                                                                                                                           © Armando Isaac
Acorda cedo a gaivota, vagueando tonta pela areia
hábito que antecede a paixão, presa ainda nessa teia
Levanta voo, paira por momentos em procura errante
que lhe permita ainda e sempre ver a casa amante
À luz da saudade nada poderá violar a eterna paixão
ainda ela perdurará, mesmo que se dê a final implosão
A gaivota sabe da insensatez na miragem da casa, inevitável
mas o doce amargo do sonho está na ausência do realizável
Assim, nessa abstracção indecisa se vai terminando a existência 
se vai hipotecando irresponsavelmente uma futura vivência
E as horas destas noites nem dormidas nem amadas
deserto percorrido com miragens, sem oásis, são pesadas 
Por isso o vagabundear nas manhãs orvalhadas é habitual
a imagem do passado, na casa, mais repetitivo, trivial 
*Poema do livro Casa da Praia - Fernando Antunes

quarta-feira, abril 28, 2010

Farol


























Diz-me, por favor, o porquê dessa insatisfação…. Calas-te? 
                                      
Já te disse …                                                                                              
gosto deste vento... Dá-me um cigarro.
                                                                                                                                      
Já viste?
                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                
O farol a lamber a noite
a lua muito branca   
este mar tão calmo.... Como se dormisse.
                                                                                                                                       
Porquê desatar a urgência do dizer? 





© Foto: Armando Isaac; Poema: Fernando Antunes

sexta-feira, abril 09, 2010

Gaivota


























Há um fio de silêncio entre a imagem e a recordação
percurso de assumida solidão
Em dias de bruma cinzenta não perguntes porque voa a gaivota
poisando nessa rocha ignota
Porque o perfume do rosmaninho e o acre odor da maresia
são toda a minha alegria

Há tanta esperança nessa praia deserta nesse mar salgado
onde me transformo em cavalo alado
Porto de abrigo natural, essa é a paisagem que dá o ser
a uma grande amizade sempre a crescer
* Poema do livro Fragmentos do Silêncio


© Foto: Armando Isaac; Poema: Fernando Antunes

sexta-feira, março 26, 2010

Este é o mar...


























Este é o mar que me desfez
nos momentos de irreal lucidez
Torna-se necessário partir nas asas do vento
para a terra do devir
Aí pelo teu nome posso gritar
é aí que te posso amar
*Poema do livro Fragmentos do silêncio

© Foto: Armando Isaac; Poema: Fernando Antunes

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Levei pela mão



Levei-te pela mão junto ao mar
sentámo-nos na praia nessa noite de luar
era a primeira vez que nos aventurávamos
sozinhos, para os caminhos do amor trilhar

O silêncio do turbilhão das coisas por dizer
a angustia daquilo que queríamos
e ainda não sabíamos como fazer

Timidamente minha mão na tua de novo pousei
teus lábios de mansinho beijei

Senti tua entrega
olhos fechados para não ver
aquilo que aos poucos
íamos aprendendo a fazer

Possui-te meigamente
criando fantasias, sem saber
se era o descompasso do meu coração
ou as ondas nas rochas a bater

© Poema: Fernando Antunes; Foto: Armando Isaac

quinta-feira, abril 02, 2009

Nazaré


Vista panorâmica da praia da Nazaré, obtida a partir do Sítio.