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terça-feira, fevereiro 02, 2010

Escuta




Escuta
escuta o ténue barulho das luzes
arrogante o vermelho, no seu poder efémero
gentil o verde dando passagem
cuidadoso o amarelo, seus avisos silenciosos

Escuta
escuta o barulho surdo de motores e buzinas
o chiar dos travões arranhando o asfalto
o arranque dos carros em sobressalto
o passo apressado dos peões

Escuta
escuta as palavras gritadas ou apenas ciciadas 
que se escapam das casas pelas frinchas das janelas
pelos interstícios das portadas, o ranger da porta a abrir
o som dos tacões altos de mulher que vai sair

Escuta
escuta as conversas no café da esquina
a colher a tilintar na chávena, a água a cair no copo
o isqueiro que acende o cigarro, o jornal a ser aberto
o beijo à chegada, discreto

Sou estátua de silêncio à chuva, na praça parado
onde tudo se passa

Onde tu não passas


(Poema inédito da autoria de Fernando Antunes, economista por formação e poeta por paixão, inspirado pela minha foto)

sexta-feira, abril 10, 2009

Ponte Vasco da Gama



A Ponte Vasco da Gama é uma ponte sobre o rio Tejo, na área da Grande Lisboa, ligando o Montijo e Alcochete a Lisboa e Sacavém, muito próximo do Parque das Nações, onde se realizou a Expo 98. Inaugurada a 4 de Abril de 1998, a ponte é a mais longa da Europa e é actualmente a 5ª mais extensa de todo o mundo, com os seus 17,3 km de comprimento, dos quais 10 estão sobre as águas do estuário do Tejo.
O vão (comprimento do tabuleiro) do viaduto central é de 420 m. Foi construída a fim de constituir uma alternativa à
ponte 25 de Abril para o trânsito que circula entre o norte e o sul do país na zona da capital portuguesa.
Aquando da sua construção foi necessário tomar especiais cuidados com o
impacto ambiental, visto que atravessa o Parque Natural do Estuário do Tejo, uma importante área à escala europeia de alimentação e nidificação de aves aquáticas. Foi também necessário proceder-se ao realojamento de 300 famílias.
O nome da ponte comemora os 500 anos da chegada de
Vasco da Gama à Índia, em 1498.
É uma das
mais altas construções de Portugal, com 148 m de altura.

domingo, março 22, 2009

Lisboa ao entardecer



Lisboa ao entardecer redime-se de tudo.
Não há mau gosto, não há pelintrice, que resistam a uma claridade assim, alastrada na superficie de um rio como este, liso, saudoso, aberto para o longe... Não há miséria nem desleixo que resistam à doçura do ar, às aventuras da luz e da sombra por estas encostas abaixo.
Tardes de ramos nus, eriçados de botõezinhos novos, tardes de castelos na bruma e jóias de fogo acesas bruscamente no topo dos mastros, na ponta das quilhas; tardes em que a Outra Banda é uma costa longínqua, irreal, a emergir da névoa; tardes em que todo o quadro, casas, árvores, céu e rio, barcos à vela e cruzadores, montes recortados de além e guindastes finos de cá - todo o quadro tem apenas duas cores, cinzento e rosa em gradações infinitas. Jogo de cortinas impalpáveis, que vai desde a nitidez diáfana do nu - com os montes recortados nos ínfimos detalhes, verde-garafa, amarelo-torrado - até à fantasmática mise en scène de véus cinzentos, de montes de cristal, de água de prata fosca... Mais pela noite dentro, o céu é azul vivo, límpido e fundo, a descair para o verde doirado na distância, com silhuetas de casas negras, onde a luz de Natal brilha fixa. E no rio cor de tinta passam hipóteses de barcos, arvorando luzes que sulcam a àgua invisível... (Ester de Lemos)