segunda-feira, junho 07, 2010

Mas que Deus és tu?




































© Armando Isaac




Mas que Deus és tu
no qual acredito e onde mais e mais
deposito paixão fervorosa?
Mas que faço
a este calor de deserto
que agora habita minha cara
a estes raios de sol
que entraram em meu peito?
*Do livro “Rosas na hospedaria do vento” - Fernando Antunes

sábado, junho 05, 2010

O SONHO

























                                                                                                                                  © Armando Isaac


Pelo Sonho é que vamos,
comovidos e mudos.
Chegamos? Não Chegamos?
Haja ou não haja frutos,
pelo Sonho é que vamos.


Basta a fé no que temos.
Basta a esperança naquilo
que talvez não teremos.
Basta que a alma demos,
com a mesma alegria,
ao que desconhecemos
e ao que é do dia-a-dia.


Chegamos? Não chegamos?


- Partimos. Vamos. Somos.




Poema de Sebastião da Gama

sexta-feira, junho 04, 2010

A Tristeza




































                                                                                                                                      © Armando Isaac
A tristeza, se deitada no arco-íris, é alegria?
A tristeza vem desde o berço 
percorrendo o caminho até ao final da ilusão 
não é uma tristeza triste é um estado permanente 
com o qual coabito docemente
Quando a vida ainda era leve, alegre, e solto o conviver 
num dia de pretensa chuva, junto ao mar, olhei o arco-íris 
ao qual brindei com oferendas e preces, para me proteger
Nesse espectro de cor, a cor azulada 
gravou sem o saber, a amizade por esta tristeza adivinhada 
o tempo foi passando a afeição cimentando o Outono chegando 
e o azul do arco-celeste a esta tristeza endémica se abrindo 
Hoje digo alegria, porque o arco-íris sempre me quis 
e a tristeza deitada no seu seio, diz-se feliz 
* Do Livro “Perguntas ao Outono” - Fernando Antunes

domingo, maio 30, 2010

Porta do Templo




































                                                      © Armando Isaac





Sento-me à porta do Templo
fumo pelo cachimbo de água
o ópio da minha espera.
Vejo entrarem coisas perecíveis
Com os olhos rasos de água
o cérebro enevoado.
Voo no colo de uma águia
que queima as asas no sol
deixando-me na órbita
de coisa nenhuma.
Espero a Deusa do Amor
que consumirá meu corpo
e lhe dará a forma da felicidade
* Do livro “Rosas na Hospedaria do Vento” - Fernando Antunes

sábado, maio 29, 2010

Era à Tarde

                                                                                                                 © Armando Isaac
Era à tarde
que gostava de sentir
a areia molhada, o som do mar, do vento
depois
o céu ia do vermelho a cinza
então
metia as forças encontradas no bolso
regressava à casa da praia
*Poema do livro Casa da Praia - Fernando Antunes

domingo, maio 23, 2010

O Porto sabes... 1

























                                                                                                                              © Armando Isaac









O Porto sabes...
Eu sei.
É um rosto
pintalgado de estrelas
com olhos de noite
e os tufos brancos, bonitos
numa cabeleira curta, aos bicos
É o sorriso
a voz ciciada
aquele mar de espanto
a noite enamorada
é o pôr de sol em tardes de Verão
de calma e solidão
É o rendilhado das pontes
e os favos da ribeira
subindo os montes
em alegre brincadeira
é as pétalas de rosas com voz
que se miram e espelham na foz
Eu sei.
Saberá quem despertou a saudade
Em meu peito?





© Fernando Antunes

O Porto sabes... 2

























                                                                                                                                © Armando Isaac


O Porto sabes...
Que faço
da curva deste rio
do azul deste céu
do verde das águas
do calor deste estio?
Senão dizer
que as ondas são tua boca
as areias teu corpo amado
onde me refresco e rebolo
em espasmos de orgasmo
sonhado
Pois tenho a recordação
da rosa de todos os matizes
desses dias felizes
* Do livro “Rosas na Hospedaria do Vento” - Fernando Antunes