quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Há um lugar


Há um lugar
que permanece inalterado desde que o conheço 
lugar que está no meu coração desde o berço
Lugar da minha infância, onde aprendi a mergulhar com o silêncio na mão 
onde os pescadores sempre regressam  e os barcos  baloiçam na solidão   
Lugar onde a imensa nobreza dos homens ganha dimensão 
Neptunos de um mar menor na labuta do ganha-pão  
Lugar onde volto sempre que posso, e me sinto de novo menino 
sentado nas tábuas desse cais sorvendo o ar marinho 
Lugar onde ao sol poente nos esquecemos do tempo, sentimos o cheiro a maresia 
onde nos chega a paz, que merecemos, e a brisa tem o aroma da melancolia
Há um lugar
onde no cais os barcos descansam, os homens sonham olhando o entardecer 
onde o rio se torna laranja e o dia, sorrindo, diz que vai morrer 

© Foto: Armando Isaac; Poema: Fernando Antunes

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Levei pela mão



Levei-te pela mão junto ao mar
sentámo-nos na praia nessa noite de luar
era a primeira vez que nos aventurávamos
sozinhos, para os caminhos do amor trilhar

O silêncio do turbilhão das coisas por dizer
a angustia daquilo que queríamos
e ainda não sabíamos como fazer

Timidamente minha mão na tua de novo pousei
teus lábios de mansinho beijei

Senti tua entrega
olhos fechados para não ver
aquilo que aos poucos
íamos aprendendo a fazer

Possui-te meigamente
criando fantasias, sem saber
se era o descompasso do meu coração
ou as ondas nas rochas a bater

© Poema: Fernando Antunes; Foto: Armando Isaac

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Escuta




Escuta
escuta o ténue barulho das luzes
arrogante o vermelho, no seu poder efémero
gentil o verde dando passagem
cuidadoso o amarelo, seus avisos silenciosos

Escuta
escuta o barulho surdo de motores e buzinas
o chiar dos travões arranhando o asfalto
o arranque dos carros em sobressalto
o passo apressado dos peões

Escuta
escuta as palavras gritadas ou apenas ciciadas 
que se escapam das casas pelas frinchas das janelas
pelos interstícios das portadas, o ranger da porta a abrir
o som dos tacões altos de mulher que vai sair

Escuta
escuta as conversas no café da esquina
a colher a tilintar na chávena, a água a cair no copo
o isqueiro que acende o cigarro, o jornal a ser aberto
o beijo à chegada, discreto

Sou estátua de silêncio à chuva, na praça parado
onde tudo se passa

Onde tu não passas


(Poema inédito da autoria de Fernando Antunes, economista por formação e poeta por paixão, inspirado pela minha foto)

sábado, janeiro 09, 2010

Parabéns à Joana


Parabéns à Joana que comemorou ontem o seu aniversário!
Será que ela sabe a origem do seu nome?


Joana – De origem hebraica, significa “Cheia da graça de Deus”. Forma feminina de João. Revela uma pessoa que só amadurece depois de muito lutar pelo equilíbrio entre a razão e o coração.

sexta-feira, dezembro 18, 2009

"Fragilidades do Porto de Abrigo"

O Fernando Antunes, colega e amigo das lides académicas no ISCTE, apresentou ontem na livraria-bar "Les Enfants Terribles", o seu último livro de poesia.

terça-feira, dezembro 15, 2009

O meu Pai Natal


Anuncio ao Mundo que o meu Pai Natal já chegou!
Para todos os amigos, os meus sinceros votos de Feliz Natal.

terça-feira, dezembro 01, 2009

Dornes - Vigia do Zêzere

Dornes é uma povoação muito antiga, anterior à fundação da nacionalidade, conforme atestam os monumentos e vestígios arqueológicos.
Assume-se como uma perfeita península, graças à sua localização na albufeira do Castelo de Bode, que é o segundo maior lago artificial navegável de Portugal.